Microbiota do intestino: um fator-chave na digestão, perda de peso e sistema imunitário
A microbiota do intestino não só intervém na digestão e absorção de nutrientes, como também desempenha funções metabólicas essenciais, tais como:- A síntese de vitaminas (por exemplo, do grupo B e da vitamina K)
- A obtenção de energia a partir de compostos não digeríveis, como a fibra alimentar
- A modulação do sistema imunitário
Modulação da microbiota do intestino através de ingredientes funcionais
A microbiota do intestino é altamente sensível aos componentes da alimentação. Por isso, uma das abordagens mais promissoras na prevenção e tratamento da obesidade consiste na sua modulação seletiva através de ingredientes funcionais como probióticos, prebióticos ou fibras fermentáveis.
Probióticos: microrganismos que reforçam o equilíbrio intestinal
Os probióticos são microrganismos vivos que, administrados em quantidades adequadas, exercem efeitos benéficos na saúde do hospedeiro. Diversas estirpes probióticas demonstraram capacidade para modificar a composição e atividade da microbiota, resistir à passagem pelo trato gastrointestinal e atuar diretamente sobre o epitélio intestinal e o sistema imunitário. Exemplos como Lactobacillus casei DN 114-001 e CRL 431 mostraram benefícios tanto na modulação microbiana como no reforço da imunidade intestinal e sistémica.Prebióticos: nutrientes funcionais para as bactérias benéficas
Os prebióticos são ingredientes não digeríveis, como certos oligossacarídeos, que estimulam seletivamente o crescimento de bactérias benéficas no cólon, como bifidobactérias e lactobacilos. O seu efeito traduz-se numa melhor absorção de minerais e vitaminas, reforço da barreira intestinal e redução do risco de doenças digestivas e inflamatórias. Compostos como a inulina e os fructooligossacarídeos (FOS) estão entre os mais estudados pelo seu efeito prebiótico.Simbióticos e alimentos fermentados: sinergia para a saúde intestinal
A combinação de probióticos e prebióticos, conhecida como simbióticos, juntamente com outros ingredientes bioativos derivados de alimentos fermentados, impulsiona o desenvolvimento de alimentos funcionais orientados para melhorar o equilíbrio do ecossistema intestinal e apoiar a saúde metabólica. Estes produtos integram-se facilmente na alimentação diária e podem gerar efeitos fisiológicos mensuráveis, com aplicações diretas em condições como obesidade, inflamação crónica ou síndrome metabólica.Tecnologias para estudar a eficácia de ingredientes funcionais
Para que estes produtos sejam realmente eficazes, é fundamental compreender como interagem com o sistema digestivo e com a microbiota do intestino. Neste contexto, os modelos de simulação digestiva in vitro são ferramentas-chave. Estes sistemas reproduzem com precisão as condições do aparelho digestivo humano, incluindo a fase de fermentação colónica, permitindo:- Avaliar a bioacessibilidade de ingredientes funcionais
- Estudar a modulação microbiana induzida por diferentes compostos
- Analisar a produção de metabolitos-chave, como os ácidos gordos de cadeia curta (AGCC)
- Prever a eficácia potencial de alimentos e suplementos funcionais
Avaliação do efeito sobre a microbiota do intestino através de modelos digestivos in vitro
Para comprovar se um ingrediente funcional tem realmente a capacidade de modular favoravelmente a microbiota do intestino, é fundamental dispor de modelos de simulação digestiva in vitro que reproduzam com precisão as condições fisiológicas do trato gastrointestinal humano. Estes sistemas permitem estudar a interação entre o ingrediente e a microbiota colónica num ambiente controlado, reproduzindo aspetos-chave do processo digestivo.O que oferecem os modelos digestivos in vitro?
- Simulam fielmente as condições reais de pH, tempo de trânsito, atividade enzimática e sais em cada fase digestiva (oral, gástrica, intestinal e colónica)
- Avaliam a fermentação colónica e as alterações na composição e atividade microbiana frente a um ingrediente ou matriz alimentar
- Permitem quantificar metabolitos bioativos, como os ácidos gordos de cadeia curta (AGCC), implicados em funções metabólicas, imunitárias e de sinalização intestinal
- Oferecem resultados reproduzíveis, éticos e custo-efetivos, facilitando a previsão de efeitos fisiológicos reais sem necessidade de recorrer inicialmente a estudos in vivo
- Substituição: trocando o uso de animais por sistemas in vitro e ex vivo sempre que cientificamente viável
- Redução: permitindo selecionar com maior precisão as condições e compostos que justifiquem posteriores estudos em modelos animais ou humanos
- Refinamento: melhorando as condições experimentais para minimizar o stress e o impacto nos animais, quando o seu uso é indispensável
Financiado pelo programa de apoios à contratação de jovens especializados em internacionalização
