A cosmética baseada em biotecnologia está a viver um ponto de viragem. A crescente procura por ativos naturais com eficácia comprovada, sustentabilidade verificável e rastreabilidade completa está a levar os departamentos de I&D a olhar para fontes alternativas capazes de gerar compostos bioativos de elevado interesse.
Para além de uma tendência de mercado, as microalgas oferecem uma base biológica sólida, compatível com metodologias de validação padronizadas e com as exigências regulatórias e de qualidade de um setor que avança para ingredientes naturais sustentados por dados científicos robustos.

Benefícios das microalgas na cosmética

As microalgas destacam-se pela sua extraordinária capacidade metabólica: sintetizam carotenoides com elevado poder antioxidante, polissacáridos hidratantes, ácidos gordos (ómega 3 e 6) com funções estruturais e outros compostos com atividade anti-inflamatória e protetora contra o stress oxidativo ou luminoso. Graças a isso, consolidam-se como uma plataforma bioativa extremamente versátil:
  • Permitem desenvolver soluções de fotoproteção natural graças a moléculas como a astaxantina ou a escitonemina, com potente atividade antioxidante e proteção contra radiação UV/HEV;
  • Proporcionam hidratação e reforço da barreira cutânea através de polissacáridos sulfatados de microalgas vermelhas e verdes, com forte efeito de retenção de água e propriedades filmogénicas;
  • Contribuem para o well-aging através de péptidos e carotenoides capazes de ativar vias celulares relacionadas com a proteção do ADN e a reparação dos tecidos;
  • Além disso, abrem caminho a estratégias de nutricosmética baseadas em matrizes ricas em ácidos gordos ómega-3/6/9, vitaminas e fitonutrientes

Quais são os tipos de microalgas com maior potencial na cosmética?

Na formulação cosmética já se utilizam microalgas e derivados como Chlorella, Spirulina (Arthrospira), Dunaliella, Nannochloropsis, Tetraselmis ou diatomáceas como Phaeodactylum, devido ao seu perfil de carotenoides, lípidos, polissacáridos e frações proteicas.

Chlorella vulgaris e Haematococcus pluvialis

Componentes-chave: péptidos, aminoácidos essenciais e carotenoides, especialmente astaxantina no caso de Haematococcus pluvialis. Aplicações: séruns e cremes anti-envelhecimento orientados para o stress oxidativo.

Algas castanhas (Classe Heterokontophyta/Haptophyta): Phaeodactylum tricornutum, Thalassiosira sp.

Componentes-chave: proteínas em elevada concentração, vitamina B12, ferro e ácidos gordos como GLA. A ficocianina, com a sua cor azul intensa, destaca-se pela sua atividade antioxidante e anti-inflamatória. Aplicações: produtos energizantes ou iluminadores e tratamentos para a barreira cutânea.

Conclusão

As microalgas são uma fonte comprovada de moléculas altamente funcionais, com evidência científica sólida e aplicabilidade real na formulação cosmética avançada. A biotecnologia consolida-se assim como a ponte entre sustentabilidade, inovação e eficácia, permitindo desenvolver ingredientes cosméticos naturais, rastreáveis, reprodutíveis e sustentados pela ciência.
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