O que é o sistema HACCP e para que serve na segurança alimentar
O HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points) é um sistema preventivo utilizado para identificar perigos potenciais (biológicos, químicos e físicos, bem como alergénios e riscos radioativos) que podem afetar os alimentos e estabelecer medidas de controlo para prevenir, eliminar ou reduzir esses perigos a níveis aceitáveis. Ao contrário das abordagens tradicionais baseadas na inspeção do produto final, o HACCP atua sobre o processo. A sua lógica é antecipatória: analisa cada etapa da produção, desde a receção das matérias-primas até à distribuição, identificando onde podem surgir riscos e como devem ser geridos. Este sistema é obrigatório para as empresas alimentares na União Europeia e constitui a base de normas internacionais como IFS, BRCGS ou FSSC 22000.Definição do plano HACCP
Enquanto o HACCP se refere ao sistema metodológico, o plano HACCP é o documento operacional que define como esse sistema é aplicado numa empresa ou processo específico. O plano HACCP inclui:- A identificação dos perigos associados ao produto e ao processo.
- A determinação dos pontos críticos de controlo (PCC).
- Os limites críticos estabelecidos.
- Os sistemas de monitorização e controlo.
- As ações corretivas.
- Os procedimentos de verificação.
- O sistema de documentação e registos.
HACCP e plano de segurança alimentar: são a mesma coisa?
Embora partilhem a mesma base metodológica, existem diferenças relevantes:- Um plano HACCP centra-se especificamente na identificação e no controlo de perigos através dos sete princípios.
- Um plano de segurança alimentar tem um alcance mais amplo e integra, para além do estudo HACCP, outros programas como os programas de pré-requisitos de higiene (PRPs), a gestão de fornecedores, os planos de defesa alimentar (*food defense*) e a rastreabilidade.
Quais são os 7 princípios do HACCP?
O sistema HACCP baseia-se em sete princípios internacionalmente reconhecidos, definidos pela FAO/OMS (Codex Alimentarius), que constituem a base para garantir a segurança alimentar. Estes princípios estruturam a análise de perigos e a implementação do plano.1. Realizar uma análise de perigos
Identificar todos os perigos potenciais (biológicos, químicos e físicos, bem como possíveis alergénios e riscos radioativos) associados a cada etapa do processo produtivo.2. Determinar os pontos críticos de controlo (PCC)
Definir em que etapas do processo é essencial aplicar controlo para prevenir ou eliminar um perigo ou reduzi-lo a um nível aceitável.3. Estabelecer limites críticos
Definir valores mensuráveis (temperatura, tempo, pH, atividade da água, etc.) que diferenciem uma situação segura de uma situação insegura.4. Estabelecer um sistema de monitorização
Definir como os PCC serão monitorizados, com que frequência e quem será responsável.5. Estabelecer ações corretivas
Determinar quais as medidas a adotar quando um PCC não está sob controlo.6. Estabelecer procedimentos de verificação
Confirmar que o sistema funciona eficazmente através de auditorias, análises laboratoriais, revisões documentais ou validações técnicas.7. Estabelecer um sistema de documentação e registos
Manter evidências objetivas que demonstrem a correta aplicação do plano e facilitem a rastreabilidade e as auditorias.Conclusão
O sistema HACCP não é um documento estático, mas uma ferramenta dinâmica de gestão do risco. A sua correta implementação permite às empresas alimentares antecipar incidentes, reduzir não conformidades e reforçar a confiança de clientes e autoridades. Num contexto de maior pressão regulamentar, surgimento de riscos emergentes e exigências crescentes do mercado, dispor de um plano HACCP bem concebido, validado e atualizado não só garante o cumprimento regulamentar, como também se torna uma vantagem competitiva estratégica.
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