A origem da agricultura de precisão remonta à década de 1980, quando começaram a ser utilizados os primeiros sistemas de navegação por satélite (GPS) na maquinaria agrícola. Com o tempo, a incorporação de tecnologias de teledeteção e de computação em nuvem permitiu um desenvolvimento significativo desta prática. A evolução para a agricultura 4.0 acelerou-se na última década graças aos avanços na inteligência artificial, na Internet das Coisas (IoT) e no uso de drones e sensores avançados. Estes desenvolvimentos facilitaram o acesso a dados em tempo real e uma gestão mais precisa e automatizada das explorações agrícolas.

O que é a agricultura de precisão?

A agricultura de precisão, ou agricultura 4.0, está a revolucionar a gestão agrícola ao integrar tecnologias avançadas para otimizar a produção. Esta metodologia utiliza dados obtidos através de diversas ferramentas tecnológicas, como sensores, satélites, drones e sistemas de informação geográfica (SIG), para monitorizar e analisar as condições do solo, o clima e o estado das culturas. O objetivo é minimizar os insumos, maximizar o rendimento e reduzir o impacto ambiental das práticas agronómicas, adaptando-as às necessidades específicas de cada parcela. Embora os benefícios sejam significativos, a adoção destas tecnologias enfrenta algumas barreiras relacionadas com o custo e a complexidade técnica.

Sistemas utilizados na agricultura de precisão

A agricultura de precisão baseia-se no uso coordenado de ferramentas tecnológicas que permitem conhecer, interpretar e atuar sobre a variabilidade das culturas. A seguir descrevem-se os cinco principais sistemas que constituem a sua base operacional:

Estes cinco sistemas trabalham de forma complementar, permitindo uma gestão agronómica mais precisa, eficiente e sustentável, alinhada com os objetivos de inovação e resiliência do setor agroalimentar.

Sensores para a agricultura de precisão

A sensorização e a conexão das diferentes fontes de dados são fundamentais neste novo contexto. As máquinas agrícolas tornam-se cada vez mais inteligentes e adaptam-se às condições da cultura e do ambiente, bem como às exigências de produção do agricultor.

Existe uma tendência para desenvolver nova maquinaria agrícola que integra sensores inovadores com o equipamento de campo, de modo a ajustar o seu funcionamento às necessidades da cultura de forma inteligente e automática. Isto facilita o trabalho do agricultor, aumenta o rendimento da cultura e, consequentemente, o lucro.

Um exemplo é a integração de sensores que avaliam a massa foliar da cultura para ajustar o tratamento fitossanitário a aplicar, reduzindo desperdícios e o impacto ambiental. Ou sensores que medem a carga de fruto e a sua maturação para planear e otimizar a colheita. Para isso, é fundamental tanto o uso de sensores avançados como a incorporação de veículos terrestres autónomos (robôs), guiados (tratores) ou veículos aéreos como drones. Por exemplo, os japoneses utilizam drones na agricultura há mais de uma década. Atualmente, o seu uso generalizou-se devido a duas razões principais: a versatilidade desta ferramenta agrícola e a redução de custos.

Os principais benefícios esperados do uso da maquinaria agrícola de última geração são melhores condições de trabalho no campo e aumento da qualidade da produção.

Vantagens da agricultura de precisão

Tendo em conta que a agricultura de precisão se refere a técnicas cujo objetivo é otimizar a qualidade e a quantidade da produção agrícola, a sua influência no futuro da agricultura é inquestionável. As principais vantagens são:

A recolha de toda a informação de campo proveniente dos sensores, juntamente com dados de origem, tratamentos ou informação meteorológica carregada na nuvem, permitirá aplicar modelos de apoio à decisão para melhorar o rendimento das culturas, antecipar problemas e reforçar os resultados de exploração dos agricultores que apostarem nas novas tecnologias. Um exemplo disso encontra-se no setor vitivinícola.

As explorações vitivinícolas têm de avaliar a qualidade da uva de forma rápida, fiável e objetiva. Para tal, o controlo das variáveis que afetam a uva deve começar nas fases de produção: acompanhamento da maturação do fruto, deteção de doenças, planeamento adequado da vindima, etc. Posteriormente, a qualidade deve ser medida à receção na adega. Para isso estão a ser utilizadas diferentes tecnologias como a refratometria, tituladores, analisadores multiparamétricos, espectrofotómetros de infravermelho e biossensores.

Barreiras que dificultam a adoção da agricultura de precisão

Apesar das suas vantagens, existem várias barreiras que dificultam a adoção da agricultura de precisão, como se confirmou durante a análise setorial com empresas colaboradoras:

As 3 vias para superar as barreiras à adoção da agricultura de precisão

Para superar estas dificuldades, a AINIA trabalha no projeto AGRISME, que desenvolve e aplica tecnologias inovadoras como imagens de satélite, sistemas de teledeteção de baixo custo e a criação de um espaço de dados integrado. Para tal, o AGRISME tem trabalhado em três vias principais:

O projeto prevê aproveitar a campanha 2024/2025 para avançar na integração das tecnologias selecionadas e criar uma caixa de ferramentas digitais AGRISME, com a qual se pretende demonstrar a capacidade transformadora das práticas de agricultura de precisão num setor particularmente relevante na Comunidade Valenciana: os citrinos.

Este projeto conta com o apoio da Conselleria d’Innovació, Indústria, Comerç i Turisme da Generalitat Valenciana, através do IVACE, e é financiado pela União Europeia através do Programa FEDER Comunidade Valenciana 2021-2027.

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