Microalgas: benefícios, cultivo e aplicações sustentáveis

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Eva Sánchez Sáez

04 May 2022

As microalgas surgem como um dos recursos biotecnológicos mais promissores para o futuro da nutrição e da saúde. Ricas em proteínas, vitaminas, antioxidantes e particularmente em ómega-3, estes microrganismos são cada vez mais reconhecidos pelo seu potencial nutracêutico — apoiando a saúde cardiovascular, a imunidade e o bem-estar geral — bem como pelas suas aplicações cosméticas, onde pigmentos naturais e bioativos contribuem para formulações antienvelhecimento e de proteção da pele. Esta combinação única de benefícios nutricionais e funcionais posiciona as microalgas como protagonistas no desenvolvimento de produtos mais saudáveis e sustentáveis.

O que são as microalgas?

As microalgas são organismos fotossintéticos unicelulares que, tal como as plantas, utilizam a luz solar para transformar o dióxido de carbono em biomassa. Desenvolvem-se tanto em meios aquáticos marinhos como em águas doces.

  • São responsáveis por mais de 50% da fotossíntese global.

  • Apresentam grande diversidade filogenética e funcional.

  • São consideradas uma alternativa promissora na produção de alimentos, ingredientes funcionais e bioenergia.

O seu elevado teor em proteínas, ácidos gordos essenciais, vitaminas e compostos antioxidantes torna as microalgas um recurso de grande interesse para a alimentação humana e animal.

Que tipos de microalgas existem?

Existem milhares de espécies, mas apenas algumas têm sido exploradas a nível industrial. Entre as mais conhecidas destacam-se:

  • Spirulina (Arthrospira): rica em proteínas, ferro e antioxidantes.

  • Chlorella: contém clorofila, vitaminas do grupo B e fibra alimentar.

  • Dunaliella salina: fonte de betacarotenos e provitamina A.

  • Haematococcus pluvialis: destacada pelo seu teor em astaxantina, um potente antioxidante.

Cada espécie apresenta perfis nutricionais e aplicações distintas, permitindo a sua utilização em múltiplos setores.

Benefícios das microalgas

O crescente interesse por alimentos funcionais impulsionou a investigação e a aplicação das microalgas devido às suas propriedades únicas. Entre os principais benefícios encontram-se:

  • Elevado valor nutricional: especialmente proteínas completas e lípidos ómega-3 (EPA e DHA).

  • Propriedades antioxidantes e imunomoduladoras, graças a compostos como ficocianinas, carotenoides ou polissacáridos sulfatados.

  • Aplicações nutracêuticas e cosméticas, devido à sua capacidade de neutralizar radicais livres.

  • Potencial em dietas vegetarianas e veganas, pelo seu contributo proteico não animal.

  • Contribuição para a sustentabilidade ambiental, através da captura de CO?.

Como aumentar o consumo de microalgas na Europa?

Apesar do seu potencial, a aceitação das microalgas na dieta europeia ainda é limitada. Para promover a sua incorporação é necessário:

  • Melhorar a perceção do consumidor, destacando a origem natural, as propriedades das microalgas e os seus benefícios para a saúde.

  • Desenvolver novos formatos de consumo: snacks, bebidas, produtos de padaria ou suplementos.

  • Investir em tecnologia alimentar que facilite a sua inclusão sem comprometer o sabor ou a textura dos alimentos.

  • Reforçar a legislação europeia sobre novos alimentos, facilitando a aprovação de mais espécies como ingredientes autorizados.

Como podem ser cultivadas as microalgas?

O cultivo de microalgas pode ser realizado em sistemas abertos (raceways) ou fechados (fotobiorreatores), sendo estes últimos mais eficientes em termos de controlo ambiental e qualidade do produto.

Condições necessárias para o seu desenvolvimento:

  • luz solar ou artificial,

  • fonte de carbono (habitualmente CO?),

  • nutrientes como azoto, fósforo e oligoelementos,

  • controlo de pH, temperatura e salinidade.

Estão igualmente a ser exploradas técnicas inovadoras como o cultivo em águas residuais, permitindo combinar a produção de biomassa com tratamentos ambientais.

Aplicações das microalgas

Graças à sua versatilidade e elevado valor acrescentado, as microalgas estão a encontrar um número crescente de aplicações em setores estratégicos. Entre os usos mais relevantes destacam-se:

Indústria alimentar

As microalgas são incorporadas como ingredientes funcionais em produtos como bebidas enriquecidas, panificação, snacks, massas ou barras energéticas. Além disso, espécies como a Spirulina e a Chlorella são comercializadas sob a forma de suplementos nutricionais devido ao seu elevado teor em proteínas e compostos antioxidantes. Também são utilizadas como base para o desenvolvimento de alternativas proteicas vegetais, no âmbito de dietas sustentáveis.

Nutrição animal e aquacultura

Neste setor, as microalgas são utilizadas como aditivo em rações para peixes, mariscos e gado, fornecendo ácidos gordos essenciais (EPA e DHA), carotenoides e outros bioativos que melhoram a saúde intestinal, a imunidade e a qualidade do produto final.

Cosmética e dermofarmácia

O uso de extratos de microalgas em produtos cosméticos tem aumentado significativamente. Ingredientes como a astaxantina (produzida por Haematococcus pluvialis) são valorizados pela sua atividade antioxidante e fotoprotetora, enquanto polissacáridos e pigmentos naturais são incorporados em formulações hidratantes, antienvelhecimento e protetoras.

Biotecnologia energética e de materiais

Diversas linhas de investigação concentram-se no aproveitamento das microalgas para a produção de biocombustíveis, através da extração de lípidos. Do mesmo modo, a sua biomassa é explorada como matéria-prima para o desenvolvimento de bioplásticos e materiais biodegradáveis, em conformidade com os princípios da economia circular.

Tratamento ambiental e biorrefinarias

As microalgas podem contribuir para a descontaminação de águas residuais através da absorção de nutrientes como azoto e fósforo. Além disso, a sua capacidade de capturar CO? atmosférico torna-as aliadas-chave nas estratégias de mitigação das alterações climáticas.

Conclusão

As microalgas representam uma solução biotecnológica de grande versatilidade, capaz de responder a múltiplos desafios em áreas como a alimentação, a cosmética, a nutrição animal, o ambiente e a bioenergia. O seu cultivo eficiente e sustentável, aliado à sua aplicabilidade transversal, permite avançar para um modelo produtivo mais saudável, funcional e alinhado com os princípios da economia circular.

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Eva Sánchez Sáez

Técnico de comunicación

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