A necessidade crescente de adotar estratégias sustentáveis, que integrem os princípios da economia circular e o conceito de desperdício zero, torna-se cada vez mais relevante numa sociedade que exige um novo modelo económico. Este é o momento ideal para dar um passo significativo. Neste artigo, exploramos a estratégia sustentável conhecida como as “5 Fases do Processo Universal de Recuperação” e apresentamos exemplos da aplicação de estratégias associadas ao plano de ação para a economia circular na indústria alimentar.

Plano de ação para a economia circular: Modelos socioeconómicos e disponibilidade de recursos naturais

A escassez e o esgotamento dos recursos naturais, em especial da água e da utilização ineficiente de nutrientes na produção alimentar humana e animal, estão intimamente ligados a problemas ambientais graves, como as alterações climáticas. O desenvolvimento socioeconómico global, impulsionado pelo crescimento populacional, industrialização, consumo excessivo e degradação ambiental, tem tornado o mundo cada vez mais urbanizado e próspero. No entanto, este progresso exige recursos naturais a um ritmo que o planeta já não consegue acompanhar, dada a sua disponibilidade limitada.

Ao longo do século XX, a procura global de matérias-primas aumentou dez vezes. A Comissão Europeia estima que esta procura duplicará novamente até 2030, em comparação com os níveis de 2010. A procura crescente por água, alimentos, energia, solo e minerais está a acelerar o esgotamento dos recursos naturais, com impactos diretos na atividade económica atual e futura.

Se as tendências atuais persistirem, prevê-se que a procura de recursos ultrapasse a capacidade regenerativa do planeta em 75% até 2020 e em 100% até 2030. Em termos práticos, isso significa que seria necessário “um segundo planeta” para satisfazer as necessidades humanas. Um exemplo concreto é o caso do fósforo, cuja procura poderá superar largamente a oferta e as reservas existentes até 2035, segundo a Comissão Europeia.

Como resposta urgente, a sociedade e a indústria estão a exigir um novo modelo económico que melhore significativamente a eficiência no uso dos recursos, prolongue o ciclo de vida dos produtos e reduza os custos com matérias-primas, promovendo a reutilização e a reciclagem. Como referiu a eurodeputada finlandesa Sirpa Pietikäinen em 2015: “o design inteligente dos produtos também deve considerar a reparação, a reutilização e a reciclagem”.

Transição para estratégias mais sustentáveis: plano de ação para a economia circular e desperdício zero

A necessidade de abandonar o modelo linear de consumo e adotar estratégias sustentáveis que promovam a economia circular, alinhadas com o plano de ação para a economia circular, nunca foi tão urgente. É tempo de abraçar a circularidade e definir metas realistas.

No setor agroalimentar, o investigador Charis M. Galanakis e a sua equipa têm vindo a desenvolver a abordagem das “5 Fases do Processo Universal de Recuperação”, aplicada tanto no meio académico como na indústria, através de laboratórios, centros tecnológicos e empresas do setor.

Esta estratégia sustentável centra-se na recuperação de compostos de alto valor presentes em águas residuais agroalimentares, como fósforo, azoto, ácidos orgânicos, açúcares, compostos bioativos e metais pesados.

Este processo segue uma abordagem em “pirâmide” para recuperar e refinar compostos valiosos — nutrientes, bioativos ou metais — assegurando a utilização otimizada das tecnologias disponíveis. Representa um conceito central nas estratégias de economia circular e nas biorrefinarias.

Exemplos de aplicação do plano de ação para a economia circular na indústria alimentar

Cada vez mais, as empresas estão comprometidas em integrar estratégias alinhadas com o plano de ação para a economia circular em toda a cadeia de valor, através de modelos de biorrefinaria e de sistemas de tratamento inovadores que permitam recuperar compostos ativos para novos produtos e ingredientes.

Além destas abordagens, técnicas avançadas, como a extração com CO? supercrítico, têm um papel cada vez mais relevante na recuperação de recursos. Esta tecnologia permite a separação, concentração e purificação seletiva de compostos bioativos a partir de matrizes líquidas complexas, sem o uso de solventes nocivos, preservando tanto a segurança ambiental como as propriedades funcionais dos ingredientes recuperados.

Continuamos a desenvolver e validar sistemas sustentáveis de recuperação de nutrientes e compostos de valor a partir de águas residuais orgânicas, utilizando técnicas de separação física por membranas ou integrando o cultivo de biomassa aquática (como microalgas e lentilhas-de-água) com processos de separação física.

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